A+ A- Tamanho Original
logo webmail Facebook Whatsapp

Dia Internacional da Mulher - 8 de Março é dia de luta

08.03.2018

O Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco (CRP-02), por meio da Comissão Temática em Gênero e Sexualidade, vem através desta nota se posicionar sobre o 8 de março, Dia (de Luta) Internacional das Mulheres.

Os debates levantados no 8 de março e que prosseguem durante todo o mês não cabem apenas nessa data ou mês, mas necessitam ser reforçados em toda a sociedade e para a nossa categoria profissional constantemente. Ao analisarmos as relações de gênero a partir de uma perspectiva da saúde mental, observamos como os papéis de masculinidade e feminilidade construídos numa cultura patriarcal tornam as experiências subjetivas, tanto das mulheres quanto dos homens, sujeitas a violências cotidianas, que decorrem do machismo. As mulheres são as protagonistas da luta feminista e as maiores vítimas das violências machistas, porém este afeta também os homens, e esse é mais um motivo de como a luta contra as desigualdades de gênero dizem respeito a toda a sociedade. Ao trazer uma visão da psicologia sobre as questões de gênero e sobre a luta feminista, é necessário que questões sociais complexas sejam levantadas e levadas em conta, para fugirmos das simplificações reducionistas e estigmatizantes. Nesse sentido, uma das problematizações que se mostra necessária diz sobre como precisamos ampliar o olhar e o debate às diferentes formas de opressão, analisando como o gênero se articula com questões de raça, classe, sexualidade, geração, etnia, deficiência, e outros marcadores que possam atravessar a vivência de corpos que não se enquadram em um padrão hegemônico.

Quando tratamos da categoria profissional no feminino, nos referindo sempre às psicólogas, temos motivos. Cabe lembrar a invisibilidade em torno da importância das mulheres que construíram e constroem a psicologia, que se concretiza com a comum referência no masculino ao se tratar do exercício da profissão: "o psicólogo". Os estudos de gênero a partir de uma perspectiva crítica de ciência pontuam como a própria ciência, a serviço da cultura, pode perpetuar formas de discriminação e exclusão; assim como sabemos como nós, seres humanos, nos constituímos e construímos a cultura através da linguagem, dos discursos, da forma como nos comunicamos com o mundo. Estamos em um tempo que se mostra imprescindível questionar o tratamento do masculino como universal e supostamente neutro, imposto por uma visão binária de masculino/feminino que omitem essa universalização do masculino como uma hierarquia (dita natural) entre homens e mulheres. Essa universalização corrobora uma pretensão de neutralidade que na realidade é hierárquica e sustentada em dualismos impostos por uma perspectiva hegemônica que é preciso superar. Se a língua portuguesa nos impossibilita de usar uma linguagem neutra, usar o feminino para universalizar pode ser uma pequena, mas simbólica forma de desnaturalizar esse esquema tão antigo. Ao colocarmos o foco sobre as mulheres psicólogas, nos inserimos e compactuamos com uma perspectiva crítica de produção de saberes, reconhecendo como é politicamente importante (de)marcar o fato da psicologia ser construída e praticada majoritariamente por mulheres. Destacamos que uma psicologia politizada abre mão da ilusão da neutralidade para poder pôr em prática nosso tão falado "compromisso social" da profissão, que só pode ser praticado de fato através de posicionamentos críticos sobre a dimensão social e estruturante que atravessa nossas vivências e relações. Quando ocupamos territórios de produção de saber/fazer, nos movimentamos sobre estruturas sociais rígidas e opressoras, porém não insuperáveis, e um dos papéis da psicologia é contribuir para tais mudanças sociais, por uma sociedade com mais dignidade, igualdade de direitos e liberdade de ser.
O Conselho Federal de Psicologia (CFP) desenvolveu uma pesquisa sobre o perfil da categoria, que mostrou que no Brasil, nove em cada dez profissionais de psicologia são mulheres. Os dados apontam que mais de 89% das profissionais em exercício são mulheres (CFP, 2013). Essa informação simboliza e destaca o protagonismo feminino na construção da Psicologia como profissão.
"A psicologia, especialmente em 2013, foi identificada como uma atividade de muitas e diferentes mulheres, e mostrou os avanços conquistados, contextualizando e produzindo reflexões sobre a atuação das psicólogas na vida, nos discursos e nos impactos de sua inserção no mundo do trabalho" (CFP, 2013).
A questão não é sobre uma profissão ser majoritariamente dominada por mulheres, ou por homens. O problema da questão reside na desvalorização das profissões ditas femininas, e de atividades relacionadas ao cuidado, discussão esta que é produto da divisão sexual do trabalho. Outro dado importante apontado na pesquisa do CFP (2013) que nos faz refletir, é de que, apesar do domínio das mulheres na psicologia, os cargos e espaços de representação da categoria ainda são majoritariamente ocupados por homens, estando as mulheres psicólogas ainda sub-representadas, e as mulheres negras ainda mais.

Ressaltamos que estamos em ano de repensar nacionalmente as diretrizes curriculares da formação em psicologia, e diante disso, acreditamos na necessidade de (re)pensar como o curso tem servido à manutenção de pensamentos e práticas sexistas.
Com a implosão de algumas fronteiras normativas de gênero, as profissões e seus processos históricos identitários passam por um novo momento de politização. Agora em 2018, não é mais suficiente nos referirmos a psicologia e lutas em torno das questões de gênero como meramente femininas, mas sim como feministas. Como podemos ampliar os debates sobre uma psicologia feminista, ou seja, sobre uma psicologia politicamente posicionada no enfrentamento às opressões machistas e patriarcais?

A Psicologia e suas diretrizes éticas se guiam pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, em que a igualdade e liberdade de cada pessoa é prevista, ressaltando-se a importância do combate às desigualdades e violações de direitos. Nesse sentido é que o Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco - 2ª Região (CRP-02) se engaja nessas lutas por garantia de direitos, a exemplo do ato unificado do 08 de março deste ano, reforçando seu posicionamento contrário a reforma da previdência, por exemplo, que é uma das pautas levantadas pelo ato unificado do 8 de março deste ano.

Diante dessa importante data de mobilização internacional, o CRP-02, além de estar presente no referido ato, lançou a campanha com o mote: “Basta de Violência Contra a Mulher” a partir da hashtag #BastaViolenciaPE, e convida a todas às pessoas para enviar vídeos e subir a hashtag. Para completar, no próximo dia 26, o Conselho realizará uma roda de diálogo para refletirmos sobre a violência contra a mulher.

Vale salientar que os eixos destacados pelos movimentos feministas neste ano vão desde o enfrentamento ao racismo e a violência contra a mulher, a autonomia sobre o próprio corpo, direitos sexuais e direitos reprodutivos, encarceramento de mulheres, relações de trabalho, organização e participação política, contra as reformas, políticas públicas, direito à terra, água e habitação, maternidade e direito a creche e direitos de mulheres lésbicas, bissexuais, trans e travestis. As ações buscam abranger todas as mulheres e a debater pautas que vem sendo levantadas pelos movimentos sociais, sendo aberto a profissionais, estudantes e comunidade em geral. O principal objetivo é debater relações de gênero, direitos humanos e a autonomia das mulheres sobre seus próprios corpos e vidas.

Saudamos todas as psicólogas e mulheres de luta!

PROGRAMAÇÃO/CHAMADAS

8 de março, 2018
Ato Unificado do Dia Internacional da Mulher
Parque 13 de Maio
Concentração: 13h
Marcha: 16h?

26 de Março, 2018
Roda de Diálogo
Auditório do CRP-02


REFERÊNCIAS

CFP. Quem é a psicóloga brasileira? Mulher, Psicologia e Trabalho. 2013. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2013/03/Uma-profissao-de-muitas-e-diferentes-mulheres-resultado-preliminar-da-pesquisa-2012.pdf

Clique no mapa para ampliar mapa

SEDE

Rua Treze de Maio, 47, Santo Amaro - Recife - PE
CEP: 50.100-160
Horário de atendimento: Segunda a Quinta-feira das 08h as 18h
Sexta-feira das 08h as 12h
Fone: (81) 2119-7272
E-mail: crppe@crppe.org.br

SUBSEDES

Caruaru
Rua Agamenon Magalhães, 1053 / 2 andar, sala 205,
Empresarial Boulevard, Caruaru-PE / CEP: 55014-000
Fone: (81) 3721-6774 / (81) 98379-8586
E-mail: crppe.valedoipojuca@crppe.org.br

Garanhuns
Avenida Djalma Dutra, 276-A sala 18
Heliópolis, Edificio Salute, Garanhuns-PE / CEP: 55296-288
Fone: (87) 3761-3299 / (81) 98379-8584
E-mail: crppe.agrestemeridional@crppe.org.br

Petrolina
Av Guararapes, 1934 / Sala 02 - Galeria Madre Pérola
Petrolina-PE / CEP: 56302-000
Fone: (87) 3864-6728 / (81) 98379-8587
E-mail: crppe.sertaosaofrancisco@crppe.org.br

Todos os direitos reservados © Copyright 2015 - Conselho Regional de Psicologia Segunda Região - CNPJ: 37.115.516/0001-91

Desenvolvimento