
A manhã desta quinta-feira (15) foi marcada por um importante momento de diálogo, mobilização e construção coletiva em defesa da Psicologia pernambucana. Realizada no Plenarinho da Câmara Municipal do Recife, a audiência pública sobre as condições de trabalho das profissionais da Psicologia reuniu parlamentares, profissionais atuantes em diversos contextos, estudantes e apoiadoras da causa.
O encontro foi articulado em parceria com o Conselho Regional de Psicologia de Pernambuco – 2ª Região (CRP-PE) e proposto pela vereadora Jô Cavalcanti, contando também com apoio do vereador Osmar Ricardo. Na ocasião, esteve presente a representação da Defensoria Pública, através da psicóloga Isabella Machado. Representando a autarquia, compuseram a mesa a conselheira presidenta Maria de Jesus Moura (CRP-02/4.617) e a conselheira tesoureira Rebecca Brayner Pereira (CRP-02/15.710).
Durante sua fala, Jesus Moura destacou a importância do momento como espaço de união e fortalecimento político da categoria. A conselheira também se solidarizou com as populações afetadas pelos acontecimentos climáticos recentes e com as profissionais do município que estão em greve, ressaltando os desafios enfrentados nos ambientes de trabalho e colocando o CRP-PE à disposição para o diálogo em defesa dos serviços prestados pela Psicologia.
A presidenta ainda destacou a recente aprovação do Projeto de Lei das 30 horas na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), em Brasília, entendendo o avanço como resultado da mobilização coletiva da categoria.
“Eles fizeram a parte deles, mas nós também fizemos a nossa parte enquanto psicólogas unidas, realizando ações conjuntas, seja dialogando nos gabinetes, como também no envio massivo de mensagens de e-mails. Estamos aqui para reafirmar que essa gestão está atenta à qualidade dos serviços e à busca constante pelo melhor para a categoria”, afirmou.
A conselheira Rebecca Brayner ressaltou o compromisso da atual gestão com a interiorização das pautas da Psicologia, enfatizando que a precarização das condições de trabalho também atinge profissionais que atuam fora da Região Metropolitana.
“Temos acompanhado a destituição de direitos trabalhistas, contratos terceirizados e editais com salários insuficientes. Estamos nessa ação conjunta para que direitos não sejam negados”, pontuou. Outro destaque esteve centrado na importância da aprovação das 30 horas como marco histórico e defendeu a construção de uma política estratégica unificada em todo o estado.
“Precisamos, sim, do nosso piso salarial, mas entendemos que a vitória das 30 horas em Brasília foi um grande avanço. A partir dessas discussões em Recife, queremos fortalecer uma unidade que se estenda para Pernambuco inteiro. Quem oferta saúde mental também precisa tê-la em primeiro lugar”, afirmou.
Enquanto mecanismo democrático de diálogo entre poder público e sociedade civil, a audiência possibilitou a escuta das vivências da categoria antes da tomada de decisões, promovendo transparência, participação popular e construção coletiva de políticas públicas. O objetivo é fortalecer as reivindicações junto à gestão pública, garantindo direitos e melhores condições para quem atua diretamente no cuidado da saúde integral da população.
A representante das trabalhadoras da Prefeitura do Recife, Bruna Leitão, apresentou um panorama sobre a realidade enfrentada pelas profissionais da saúde no município, tanto em jornadas de 30h quanto de 40h. Em sua fala, trouxe a urgência da luta pela carga horária e pelo piso salarial. “Precisamos viver dignamente da profissão que abraçamos. Estamos recebendo salários de semiescravos”.
A psicóloga Luísa Lacerda, integrante da ONG Gilu, que atua diretamente com mulheres em situação de vulnerabilidade, também apresentou reflexões sobre a precarização das relações de trabalho em clínicas vinculadas a planos de saúde e sistemas terapêuticos com baixas remunerações.
Wagner Bourbon, psicólogo e representante das profissionais aprovadas em concurso público realizado em 2024 e que seguem aguardando convocação. “A gente está aqui não pedindo emprego, mas exigindo um direito”.
Outras contribuições importantes também foram levantadas ao longo da audiência, ampliando ainda mais o debate sobre valorização profissional, condições éticas de trabalho e fortalecimento das políticas públicas em saúde mental.
Também estiveram representando o CRP-PE o conselheiro Quíron de Pontes (CRP-02/22.029), o conselheiro Breno Lincoln Pereira de Souza Diniz (CRP-02/16.277), colaboradoras(es) da Comissão de Orientação e Fiscalização, além de assessorias da autarquia.
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